| Economia | Pacote bilionário da China assusta a cadeia do algodão |
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O diálogo entre os governos brasileiro e chinês para o monitoramento do comércio de produtos agroindustriais deve se intensificar nos próximos dias Os participantes da cadeia do algodão aguardam medidas que preservem a atividade após o anúncio do pacote econômico chinês, avaliado em US$ 586 bilhões. O temor dos cotonicultores é que, mais estimulada e subsidiada, a indústria têxtil asiática entre mais agressivamente no Brasil, inibindo as vendas de todo o setor. "Estamos trabalhando com as autoridades para evitar que os excedentes produtivos da Ásia, que encontrarão Estados Unidos e Europa em recessão, migrem para cá", afirmou Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira das Indústrias Têxteis (Abit). "Aguardamos mecanismos que tragam transparência no comércio", destacou. Segundo Pimentel, o setor já busca meios de se contrapor ao eventual preço de liquidação que a China poderá cobrar para preservar sua produção. No último mês de outubro, a China já havia tomado uma medida protecionista. O Ministério das Finanças do país anunciou o aumento (que poderá chegar até 14%) das devoluções fiscais a empresas do setor de roupa e têxtil que exportem seus produtos. Diante do acirramento da concorrência, a previsão para o crescimento das vendas do setor no varejo em 2008 é de 5% a 6%, o que representa uma desaceleração ante os 11% alcançados no ano passado. O desaquecimento da indústria doméstica seria o estopim de uma crise para um setor que enfrenta uma das piores safras dos últimos tempos. Os preços internacionais do produto estão abaixo da média histórica e não param de cair - só no mês de outubro a cotação da commodity recuo 19% na Bolsa de Chicago - e o mercado interno segue em ritmo cada vez mais lento. Com a comercialização quase parada esses agricultores não estão conseguindo resgatar o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), nesse momento essencial para financiar a próxima safra. A indústria têxtil brasileira opera com pouco crédito e praticamente interrompeu as compras de algodão, o que impossibilita a consolidação das vendas para que os produtores possam pegar o benefício disponibilizado pelo governo. "Mais de 1,24 milhão de toneladas de algodão da última safra estão vinculadas ao Pepro e pouco foi comprovado até agora. É preciso correr e cumprir os contratos para utilizar essa nota e conseguir esse benefício do governo", adverte Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Para o pesquisador, é fato que com a crise financeira e o menor crescimento mundial um dos primeiros mercados a sentir a redução de consumo da população será o têxtil. No relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês), divulgado ontem, o consumo interno norte-americano foi projetado em 4,40 milhões de fardos em 2008/2009, ante os 4,61 milhões de fardos previstos para serem consumidos até o final da temporada 2007/2008. "Esse número é até otimista. Se houver uma recessão a situação será pior", avalia o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Rodrigues da Cunha. O pacote anunciado pela China também recebeu avaliações positivas. "Para os concorrentes da China é uma boa notícia, pois eles devem direcionar mais a produção para o mercado interno e serão menos agressivos no mercado externo", disse o diretor técnico da consultoria AgraFNP, José Vicente Ferraz. "Eles estão cientes de que o Brasil não tem condições de absorver toda sua produção". Os participantes da cadeia do algodão no Brasil aguardam medidas federais que preservem a atividade depois do anúncio do pacote econômico chinês, avaliado em US$ 586 bilhões. O temor dos cotonicultores é que, mais estimulada e subsidiada, a indústria têxtil asiática entre agressivamente no País, inibindo as vendas de todo o setor. "Estamos trabalhando com as autoridades para evitar que os excedentes produtivos da Ásia, que encontrarão os EUA e a Europa em recessão, migrem para cá", afirmou Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira das Indústrias Têxteis (Abit). Fonte: ExpressoMT/DCI Data da publicação: 12.11.2008 |
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