As indústrias têxteis de Brusque geram mais que benefícios econômicos para o estado de Santa Catarina. Muitas utilizam um modelo de tratamento de resíduos industriais que conta com técnicas modernas e vigilância constante da população
Maior atividade manufaturada de Santa Catarina, responsável por 124 mil trabalhadores e 10,5% do ICMS arrecadado, o setor têxtil do Estado é também o segundo maior do país, correspondendo a 16% das exportações brasileiras do segmento. Enquanto o impacto econômico da atividade têxtil é amplamente divulgado, outro impacto que envolve diretamente o setor passa despercebido: o ambiental.
Soluções com corantes reativos, utilizados para tingir os tecidos, tornam-se extremamente poluentes e tóxicas se não forem tratadas antes de a água ser devolvida para o leito do rio. Além das indústrias têxteis, os efluentes das indústrias químicas, que produzem as tintas, também geram uma grande quantidade de resíduos ofensivos ao meio ambiente.
Brusque é considerada um grande pólo industrial do setor têxtil do Estado. De acordo com dados de 2006 da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agropecuário do Município, a cidade abriga 285 fábricas do setor. A Fundação de Amparo ao Meio Ambiente (Fatma) acompanha o desenvolvimento da atividade e, principalmente, o que as empresas fazem para tratar e onde despejam seus efluentes. Conforme afirma Ronald Sotschneg, engenheiro do departamento de licenciamento da Fatma, a Riovivo Engenharia Ambiental é a principal central de tratamento da cidade com o atendimento de 15 empresas. Outras 13 indústrias da região possuem suas próprias Estações de Tratamento de Efluentes (ETE).
A Fatma realiza análises constantes nos resíduos líquidos dos processos indústrias que são lançados no rio Itajaí Mirim e seus afluentes. São analisados quesitos como a cor aparente e a quantidade necessária de consumo de oxigênio dos efluentes, os chamados DBO. “Se esses pontos não forem atendidos, o PH da água, a temperatura, a cor e o cheiro do rio podem ser alterados e, assim, prejudicar o desenvolvimento da vida do rio”, esclarece Sotschneg.
Os efluentes tratados na central da Riovivo Engenharia Ambiental, cerca de 400 m³ por hora, são devolvidos ao rio atendendo plenamente a legislação vigente, segundo o engenheiro da Fatma. “O mesmo acontece com as estações das grandes empresas da região. O que nos preocupa são os efluentes de pequenas indústrias, que muitas vezes são despejados nos afluentes do rio Itajaí Mirim, que cruzam Brusque, como o Rio Sorocaba, no calar da noite ou em dias de enxurrada”, conta Sotschneg.
O engenheiro afirma ainda que a população da cidade está sempre de olho na atuação das indústrias e, é um importante fiscalizador e parceiro na defesa do meio ambiente. Empresas que descumprirem as normas são autuadas e multadas pela Fatma. Denúncias da região podem ser feitas no escritório da Fatma localizado em Blumenau, pelo telefone (47) 3340-1977.
O tratamento
A despoluição dos resíduos industriais têxteis de Brusque é feita em estações de tratamentos de efluentes (ETE) com a utilização de técnicas físico-químicas. O engenheiro químico da Riovivo Engenharia Ambiental, Wilmar Weigert, afirma que
A primeira etapa do tratamento é o recolhimento dos efluentes. No caso da Riovivo, antes de chegar a estação de tratamento, os resíduos das indústrias são despejados em dutos que a empresa possui, distribuídos por 34 Km de Brusque.
Posteriormente é realizada a correção do PH. Depois é feita uma aplicação de oxigênio, para que, quando no rio, o resíduo não tenha uma demanda do elemento superior a 80%. A tecnologia adotada é a de poço profundo (deep shaft). Trata-se de um reator anaeróbico de 4 metros de diâmetro por 60m de profundidade, alimentado por ar comprimido garantindo a eficiência no tratamento biológico. Depois é realizada uma clarificação, com a separação de um lodo colorido da água. Esse lodo é secado, para que fique apenas a parte sólida do resíduo. Os restos sólidos são armazenados em valas de aterro sanitário e a água devolvida ao rio. A Riovivo possui seu próprio aterro. Já as demais ETEs da cidade precisam levar esse resíduo para algum aterro. Desde o início de maio, a Riovivo Engenharia Ambiental está aceitando os resíduos sólidos de outra empresas que possuem suas próprias ETEs.
Novo equipamento garante eficiência
A Riovivo Engenharia Ambiental investe para reduzir odor da estação de tratamento e melhorar qualidade da água.
A empresa acaba de adquirir um aparelho difusor de ar, usado para aumentar a eficiência no tratamento de efluentes industriais. O equipamento é produzido no País, mas possui tecnologia francesa. Avaliado em R$ 300 mil, o sistema de ar difuso, que será instalado no fundo do tanque da estação, atuará para diminuir o PH do efluente com a injeção de ar e, com isso reduz odores que surgem através do processo, além da melhorar a qualidade da água que será devolvida ao Rio Itajaí-Mirim. A previsão para instalação do equipamento é para o final do mês de agosto.
“Essa aquisição beneficia diretamente aos nossos clientes, que terão o seu efluente tratado com mais segurança e qualidade, assim como a população da cidade, que terá uma água mais limpa e a vizinhança da estação, que sentirá menos o odor produzido pelo tratamento. Temos uma preocupação muito grande em reduzir o cheiro da estação e estamos priorizando as ações com essa finalidade”, afirma Guilherme Ennes, diretor da Riovivo Engenharia Ambiental.
A Riovivo Engenharia Ambiental é responsável pelo tratamento dos efluentes das empresas Buettner, Fatre, Florisa, Heil, HJ Malhas, Iresa, Latina, Pura Cor, Quimisa, Renaux, Renaux View, Sancris, Schlosser, Silveira, Tom da Cor, Unilav e Zen. Outras com um fluxo menor de efluentes são atendidos por caminhões tanques coletores.
A terceirização do tratamento dos efluentes é vantajosa porque as indústrias deixam para a Riovivo a preocupação com a qualidade da água devolvida ao rio, se concentrando na sua atividade principal, e também porque a Riovivo repassa para seus clientes a licença ambiental que possui com a Fundação do Meio Ambiente, a Fatma. A eficiência do tratamento dos efluentes realizado pela estação é superior a 80%.
Fonte: Fábrica de Comunicação
Fotos: Divulgação
|